Introdução:
A integridade da parede abdominal após procedimentos cirúrgicos está diretamente relacionada à técnica de sutura empregada. A sutura contínua, amplamente utilizada em cirurgias abdominais, tem sido associada à redução de complicações como deiscência, hérnia incisional e infecção de ferida operatória. A escolha adequada do método de fechamento da parede abdominal é fundamental para a recuperação do paciente e para a diminuição de custos hospitalares decorrentes de reoperações.
Objetivo:
Avaliar a eficácia da técnica de sutura contínua na redução de complicações pós-operatórias em cirurgias abdominais, em comparação com a técnica de sutura interrompida.
Metodologia:
Trata-se de um estudo retrospectivo e comparativo, de abordagem quantitativa, realizado por meio da análise de prontuários de pacientes submetidos a cirurgias abdominais entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024 em um hospital universitário. Foram incluídos 240 pacientes, divididos em dois grupos: grupo A (sutura contínua, n=122) e grupo B (sutura interrompida, n=118). As variáveis analisadas incluíram tempo cirúrgico, incidência de deiscência, infecção de ferida, hérnia incisional e tempo de internação. A análise estatística foi conduzida com o teste qui-quadrado e t de Student, considerando significância de p<0,05.
Resultados : A média de idade foi de 46 ± 13 anos, sendo 58% do sexo feminino. O grupo A apresentou menor tempo médio de sutura (18,6 ± 3,2 min) em comparação ao grupo B (26,4 ± 4,1 min; p<0,001). A incidência de deiscência foi significativamente menor no grupo A (3,2%) em relação ao grupo B (8,4%; p=0,02). A ocorrência de hérnia incisional após 6 meses foi de 2,5% no grupo A e 6,7% no grupo B. Não houve diferença estatisticamente significativa quanto à taxa de infecção de ferida operatória (p=0,21).
Conclusão: A técnica de sutura contínua demonstrou-se mais eficaz que a sutura interrompida na redução de complicações mecânicas pós-operatórias em cirurgias abdominais, além de otimizar o tempo operatório.
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